Época do Natal

“Dizem que na época do ano em que nasce o Salvador, a ave da aurora canta toda a noite e então espírito algum pode vagar. As noites são tranqüilas, planeta nenhum colide, nenhuma fada rapta e bruxa nenhuma tem poder, por ser a época tão sagrada e graciosa”.                                                                                                                                Shakespeare

           Que época é essa, onde simples pastores, em seus sonhos têm a boa nova trazida pelos Anjos, de que a paz pode reinar entre os homens de boa vontade. E que outros homens, sábios reis do Oriente, lêem nas estrelas que nasceu o Rei dos reis e partem ao seu encontro, levando presentes?

             É mais uma época do ano, nos trazendo através de imagens como estas, o presente da lembrança do que acontece na natureza e em nosso íntimo. Fazendo uma alusão implícita aos movimentos do ser vivo da Terra, em sua grande respiração: expiração no verão e inspiração no inverno.

           Através desta respiração a Terra, tal como nós, se renova em suas forças vitais através dos seres elementais, permitindo acontecer a vida. Pois passados os meses de setembro e outubro, no início de novembro temos o período do ano dedicado aos mortos, que é o período onde realmente a maior parte dos espíritos humanos abandona seus envoltórios corpóreos, como que expirando, fechando um circuito na Terra, e assim se chega novamente à época do Advento e do Natal, do início de mais um ciclo solar.

           Aproxima-se o mês de dezembro, no céu vemos a constelação de Escorpião se afastando, com a chegada da constelação de Sagitário, nos apontando novas metas na vida.  Nessa época temos o solstício de verão para nós do hemisfério sul, o ponto máximo da declinação austral do sol. Ponto a partir do qual, a Terra passando a receber a incidência da luz do sol, de modo diferente, vai modificando as temperaturas, os ventos, as chuvas e assim ocorre a transformação do mundo das plantas, acontecendo então uma nova estação.

          Vem chegando o verão, temos mais calor. Ocorrem chuvas ocasionais em fins de tarde, cigarras cantam e vaga-lumes alegram as noites. Lá fora, a natureza ainda nos reserva alguns dias de ventos mais frios pela manhã e anoitecer, mas já vislumbramos na florescência dos flamboyants a anunciação da nova época.

 

Época do Advento

              Na época do Advento, época de preparar-se para o que há de vir, ainda há a festa de São Nicolau (dia 6 de dezembro), do qual se considera ter, provavelmente, derivado a imagem do Papai Noel.

           São Nicolau (Sta. Klauss) era um bispo sábio e piedoso, que distribuía todos os seus bens entre os pobres. Vestia um manto purpúreo, como representante de Deus na Terra. Tinha uma barba longa e branca, sinal de sua sabedoria e idade. Especialmente na Holanda e outros países do norte da Europa, neste dia São Nicolau, vai de casa em casa ver as crianças que foram boas e são merecedoras de elogios, e as que tiveram mau comportamento e precisam ser recomendadas a melhorar; para as piores travessuras ele deixa uma “vara de marmelo”. As crianças que deixaram seus sapatinhos ou meias, à porta, na véspera, encontram cartinhas, doces, pão de mel, nozes, ou mesmo as tais varinhas...     

O período do Advento, que é o período dos quatro domingos que antecedem o Natal, que normalmente inicia já em novembro e se estende ao longo do mês de dezembro, nos oportuniza ficarmos mais atentos ao que acontece ao nosso redor, silenciosamente, a partir do Cosmos.


           No primeiro domingo de Advento, é como se um grande Anjo descesse do céu para convidar aos habitantes da Terra a preparar o Natal. Talvez, a maioria das pessoas não perceba esse convite silencioso, de se dispor a cantar músicas natalinas ou começar a “vestir” a casa com enfeites, de forma gradativa, indo devagarzinho preparando um presépio em seus corações, ao longo dessas quatro semanas.

         No segundo domingo, é como se outro Anjo passasse com uma caixa de ouro vazia nas mãos, buscando discretamente enchê-la com amor puro. Busca esse amor no coração dos homens, um amor puro que será transformado no brilho das estrelas.

         No terceiro, outro Anjo trazendo em sua mão direita um raio de sol, toca o coração dos homens em que foi encontrado amor puro. Então a luz daquele raio de sol, os ilumina e os aquece de dentro, permitindo-lhes assim ver o verdadeiro significado do Natal.

         No quarto domingo de Advento, um grande Anjo passa por sobre toda a Terra, cantando e tocando com uma lira o grande canto de Paz, o canto do Menino Jesus. Que só poderá ser ouvido por aqueles que se prepararam e abriram seus corações.

Natal - Sentido espiritual

       Natal! Período do nascimento do menino Jesus, período de renascimento da força rejuvenescedora do Cristo, da Árvore da Vida.

         Ainda no dia 24 de dezembro, pouco antes do nascimento do Messias, que é o segundo Adão que nos traz a Árvore da Vida, podemos lembrar-nos do casal Adão e Eva que nos concederam conquistar o conhecimento de tudo, através do fruto da Árvore do Conhecimento. O dia 24 é o dia de Adão e Eva, que poderá ser comemorado com a leitura do Gênese, nos lembrando do nosso caminho e nosso destino como humanidade.

         Na noite de 24 para 25 de dezembro se realizam, num primeiro instante, os sentimentos de profunda esperança, desenvolvidos ao longo das quatro semanas do Advento. É o nascimento do Menino Jesus, que nos traz a possibilidade do nascimento do Eu humano.    

          Então, ao olharmos as comemorações das Festas Anuais mais atentamente, perceberemos também que o que está sendo comemorado como Natal, Páscoa, São João ou Micael, são imagens que nos ajudam a recordar nossa essência espiritual e nossa ligação com o impulso espiritual do Cristo (mesmo que não nos identifiquemos como cristãos). E tudo isso fazendo parte de um todo, que se repete ciclicamente no ritmo do decurso anual, num co-vivenciar do curso da natureza, com a Terra, o ser humano e o mundo espiritual cósmico.

          O Ano Comemorativo inicia com a comemoração do Natal, onde acompanhamos o nascimento daquele que receberá o impulso espiritual do Cristo. É inverno no hemisfério norte, o Menino nasce e recebe o batismo no Jordão, 30 anos depois, no momento da inspiração da Terra. No momento onde todas as almas que irão nascer ao longo do ano seguinte se aproximam de seu destino de nascimento e ali ficam aguardando. É a atuação do Arcanjo Gabriel, podemos imaginá-lo com um gesto de bênção recolhendo do Cosmos as forças nutritivas e trazendo-as para o ser humano e toda a natureza. Enquanto no hemisfério sul, onde é verão, e a atuação de fora é do Arcanjo Uriel, Gabriel atua a partir do interior da Terra, transformando as forças regenerativas em forças curativas.

          Então para colocarmos corretamente o aspecto natalino perante nossa alma, precisamos nos dar conta que no aspecto natalino se expressa o nascimento do Menino Jesus destinado a acolher em si o Cristo. Só assim, temos a possibilidade de olhar a mulher que deu à luz a criança, como um ser, profundamente aparentada com todos os processos do elemento terrestre, pois do mesmo modo no inverno a própria Terra se prepara para acolher em si o elemento Solar, a força Crística que vivifica os processos mineralizantes de morte.

          Desta forma a Virgem Maria com uma criança em seus braços é a grande inspiradora desta época natalina, representando as forças de nutrição de Gabriel, nos lembrando de nossa origem divina, de cuidarmos do nascimento de nosso Eu.

         

 

As Doze Noites Santas

          Na noite de 25 de dezembro se iniciam os 12 degraus, ou passos do caminho interno, que terminam no dia 6 de janeiro - Dia de Reis. Este é o caminho do nascimento do ser humano perfeito, que possibilitará o nascimento do Eu perfeito ou da individualidade sã ou divina, que se concretiza no décimo terceiro dia. Dá-se então, o nascimento do filho de Deus, o Cristo.

         Este é o mistério do Natal, que está ligado à espera, à experiência do tempo que falta para que a metamorfose se cumpra e que as forças de vida e de luz transformem toda a criação. Então, ao longo dessas 12 noites santas, entre o dia 25 de dezembro (nascimento da criança revelado aos pastores - aos puros de coração, em sonhos) até o dia 6 de janeiro (chegada dos reis - os sábios de cabeça, para adorar o Salvador, e dia do Batismo no Jordão), se comporta o mistério do Natal, no caminho que leva de Jesus a Cristo.

         A passagem do Ano Novo, 1º de janeiro, meio dos doze dias e treze noites santas entre o Dia de Adão e o Dia de Reis, pode ser vista como uma pausa. O ser humano se dá o direito de sentar, comer, festejar e olhar para trás e ver que “andou”. O caminho pode ter sido doloroso ou feliz, cheio de acertos ou erros, não importa.

         O mar, não por acaso, atrai muitas pessoas para passarem esta noite. Essa água imensa personifica a vida, escura e misteriosa, com um movimento infinito de ondas. Sobre ele um céu de incontáveis estrelas silenciosas. Observando essa cena intuímos o grande mistério da vida e do futuro e podemos perceber que cada um tem o poder de se transformar num pulsar caloroso e ritmado, trocando o silêncio das estrelas em sentimentos carinhosos de compreensão. E sem medo, mergulhar na vida.

Considerações:

       Bem, passado o período do Natal, damos início a mais um ano, que irá transcorrer com suas festas, estações, datas comemorativas, dias, semanas, meses...  O que nos permite ter ritmos, percepção real da dimensão tempo, do momento presente, o que nos possibilita assim, sermos libertados de nosso passado, sem nos tornarmos escravos do futuro.

          Ter ritmos é ter saúde. Seguir os ritmos biológicos de sono, vigília, das refeições e muitos outros que temos em nosso organismo, nos dá saúde e equilíbrio. Desenvolver uma consciência dos ritmos seja das estações do ano, da semana, do mês, do amanhecer, da hora do almoço, do anoitecer, dará novas forças ao nosso Eu.

           E se esses fatos são acompanhados por uma meditação, uma oração, ou um ato especial, vamos criando novos ritmos internos, agora orientados pelo nosso próprio Eu. A grande dificuldade do ser humano, hoje, é que ele se emancipou dos ritmos externos da natureza, e ainda não encontrou o novo ritmo interno de seu Eu, com isso se distanciou do verdadeiro conhecimento da estrutura do tempo. Daí a impressão de vivermos numa civilização totalmente arrítmica, causadora de tantas doenças e desarmonias.

          Só a força da vontade consciente poderá corrigir esta situação e nos ajudar a penetrar novamente no fluxo surpreendente do tempo; onde temos a capacidade de viver ativamente e de criarmos o nosso próprio presente, dentro de um campo de possibilidades, criando assim nossa realidade de acordo com nossas próprias escolhas.

*Elaboração do conteúdo: psicóloga antroposófica Marisa Clausen Vieira

Busca no site:

digite o que procura

Loading

Arte, mimos e encantos!!

"Não roube a infância de seu filho, deixe-o descobrir o mundo pelos seus olhos curiosos. Tudo tem seu tempo e o maior tesouro que temos é o aprendizado que fazemos nestas próprias descobertas." RC 

 

Notícias:

Agora temos loja física!!

Dá uma olhadinha na página "Como adquirir os produtos Amarilis" e descubra tudo o que há por lá.

Vale a pena conferir!

LOJA FÍSICA

Tabela de preços:

Tabela de Preços
Tabela de preços_out2018.pdf
Adobe Acrobat Document 543.4 KB