Época de São João

Pau de Fitas
Pau de Fitas

         Acredita-se que as festas juninas têm origens no século XII, na região da França, com a celebração dos solstícios de verão (dia mais longo do ano, 22 ou 23 de junho), vésperas do início das colheitas. No hemisfério sul, na mesma época, acontece o solstício de inverno (noite mais longa do ano). Como aconteceu com outras festas de origem pagã, a partir da Idade Média, estas também foram sendo cristianizadas, e foram trazidas pela igreja católica ao Novo Mundo. A comemoração das festas juninas é certamente herança portuguesa no Brasil, acrescida ainda dos costumes franceses que a elas se mesclaram na Europa.

         O ciclo das festas juninas gira em torno de três datas principais: 13 de junho, festa de Santo Antônio; 24 de junho, São João e 29 de junho, São Pedro. No século XVIII, São João torna-se o santo das colheitas, sendo o milho o seu símbolo principal. Por isso a Festa de São João, além de todo significado de João Batista para a história da humanidade, tornou-se a festa maior por excelência, tanto que no início eram denominadas de ‘festas joaninas’.

          É interessante notar que não apenas o dia propriamente dito, mas todo o mês é considerado como tempo consagrado a estes santos em certas regiões e, principalmente, as vésperas, que é quando se realizam os sortilégios e simpatias, a parte mágica da festa típica do catolicismo popular. Inúmeras adivinhações a respeito dos amores e do futuro (com quem se vai casar, se se é amado ou amada, quantos filhos se vai ter, se se vai morrer jovem ou ganhar dinheiro etc.) são feitas nas vésperas do dia dos santos, em geral de madrugada.

       As festas juninas sofreram metamorfose para um colorido tipicamente brasileiro, em suas músicas, vestimentas, e especialmente em suas iguarias. Do norte ao sul do nosso país há as mais variadas conotações de festejos e danças típicas; em nenhum lugar faltam as pipocas, os doces de milho, de leite, de coco, de amendoim, e o quentão. É interessante o costume da Bahia e do norte de Minas, que lembra o da árvore de Natal – uma árvore é montada com muitos presentinhos coloridos no meio da fogueira – num determinado momento ela cai nas chamas da fogueira, e cada qual corre para pegar seu presentinho.

          Há ainda muitas outras brincadeiras. Como a ‘pescaria’, o ‘ colocar o rabo no burro’, o’porquinho da índia’, soltar bombinhas ou ‘busca-pés’, ‘correio elegante’, pular fogueira, cantar músicas de São João, dançar ‘quadrilha’ e até mesmo assistir o ‘casamento caipira’, que alegram a criançada e faz rir a toda gente.

         Mesmo com tantos festejos “pipocando” em tantos lugares, também é gostoso quando naqueles dias bem frios, preparamos em casa alguns dos tantos pratos típicos desta época e fazemos um gostoso quentão. Tem uma receita de um quentão sem álcool que fica uma delícia e assim inclusive as crianças poderão beber a vontade! Sendo gostoso também junto com os ‘pequenos’, enquanto cantamos cantigas de São João, enfeitar a casa fazendo balões de dobradura coloridos e pendurá-los em alguma luminária ou até mesmo “bandeirolas”. Para assim como João, anunciarmos a boa nova de que novos tempos virão, onde não mais deverá imperar a lei do “dente por dente, olho por olho”, mas sim um tempo de sabedoria, de alegrias, brincadeiras, fraternidade e compaixão entre todos nós.

As Festas Juninas e as Forças Joaninas

         "Nos antigos Mistérios de Iniciação os discípulos eram intimamente vinculados com o curso do ano, tão intimamente vinculados que eles tinham que dizer: “eu só sei, do que eu sou como Ser Humano, caso não vá vivendo embotado, mas me deixe elevar aos céus no verão e me deixe aprofundar no inverno nos mistérios da Terra, nos segredos da Terra”.

(Rudolf Steiner)

  

       Era este sentido que levava os seres humanos se vincularem às épocas do ano e suas festividades, fortalecendo a relação destas festas anuais com os solstícios e equinócios transformando-as em marcos que fazem alusão aos movimentos do ser vivo da Terra, em sua grande respiração. Expiração no verão e inspiração no inverno. Através do que, a Terra se renova em suas forças vitais, nos permitindo a vida.

        Através dessa grande respiração, demarcada pelo ritmo das quatro estações, se dá a atuação de quatro grandes Arcanjos, que atuam em conjunto e em parcerias: Gabriel e Uriel (verão/inverno), Rafael e Micael (outono/primavera). Pois quando é verão em um hemisfério é inverno no outro, bem como quanto ao outono e primavera. E este é o verdadeiro sentido espiritual destas festas, que as torna tão importantes, nos trazendo a lembrança do ciclo evolutivo da vida e de nossa responsabilidade para com tudo que é vivo, em colaboração com a atuação destes quatro Arcanjos.

          Na primavera/verão a Terra está num estado como o de sono do ser humano, e no outono/inverno, ao inspirar, a Terra estaria na situação do ser humano acordado. No inverno o mundo espiritual está oculto, interiorizado, tudo está impregnado de um azul escuro. Seres elementares se ocultam na Terra, trabalham nas rochas e cristais, nas raízes e nas sementes. Estes seres espirituais trabalham a luz na escuridão da Terra, transformando-a em pedras preciosas, e possibilidade de vida nova.

          Então, numa correspondência entre o mundo externo da natureza e o mundo interno de nosso interior humano, o que será que acontece? Podemos dizer que, enquanto a primeira metade do ano pertence a toda humanidade, onde nos ligamos ao mundo espiritual nas comemorações do nascimento, vida e morte do Cristo; a segunda metade do ano é o caminho individual, internalizado, de conhecimento interior numa atuação de forças joaninas nos despertando a desenvolver a auto consciência.

        A figura de São João, como força imaginativa, pode nos auxiliar a nos encorajarmos a despertar parte dessa consciência, a usarmos as forças “invisíveis” do inverno para estarmos mais “acordados” e pensarmos mais com o coração, ficarmos num estado mais contemplativo. É época de observarmos estrelas e pores de sol.

         João Batista se encontra no limiar entre o antigo e o novo, ele é o último dos profetas e, ao mesmo tempo, mais do que um profeta. Todo povo da Judéia, Jerusalém e das regiões vizinhas do Jordão, iam até ele não só para ouvi-lo falar, mas para vê-lo e dele receber o batismo para a mudança dos sentidos. Repensar, reverter os sentidos, mudar o coração.

 

       “Para que ele possa crescer, eu preciso diminuir”. Estas são as palavras de João no quadro do pintor renascentista Mathias Grünewald. Palavras que querem dizer que aquela força dada pela natureza, de crescer para fora de si (manifestações de egoidade como cobiças, êxtase, soberba, exageros, etc.) tão presentes nas forças do verão, do calor que nos leva à exuberância, é que deve diminuir. Isto é, serem recolhidas para o interior, tal como no inverno, para que estas forças da natureza de sonhos se transformem em oferenda e amor, em sacrifício. Tal como uma fogueira que se transforma em uma chama que aquece e purifica nosso interior, num sinal que o ser humano antigo se sacrifica para que possa crescer e surgir o novo ser humano dotado de auto consciência.

          Em relação a esse fato, João era o oposto de Jesus Cristo, que é o representante do novo ser humano terrestre, que mesmo sendo pequeno, pode crescer ao receber o Eu-crístico no seu “eu” humano. No evangelho de Lucas, encontramos a anunciação do nascimento de João a Zacarias e todo o mistério dos nascimentos de João e Jesus. Evidenciando a relação da polaridade entre as épocas de verão e inverno: São João e Natal.

         E estas são justamente as forças que emanam nesta época joanina, forças que emanam do Arcanjo Uriel, na máxima: “Recebe a Luz”. Luz como sabedoria do espiritual, como conhecimento da essência do ser humano. Em conjunto com as forças do Arcanjo Gabriel, na máxima: “Guarda-te do Mal”, guarda-te, retrai-te diante da escuridão terrestre, daquilo que torna o ser humano, esperto e astucioso querendo só perseguir o que lhe é útil, que precisa ser domado mediante a prudência e o bom-senso.

     Celebremos então, conscientemente João, contemplando interiormente o que nos chega ao longo das treze noites após o solstício de inverno e recebamos a partir do cosmos a dádiva destas forças joaninas!

 

Elaboração: Psicóloga Antroposófica Marisa Clausen Vieira

Festa da Lanterna

        A Festa da Lanterna é tradicional em alguns países da Europa, é comemorada na época do inverno e nos traz um significado de recolhimento e interiorização.O recolhimento que se manifesta nessa época nos aproxima de nossos conteúdos interiores. Este caminho é simbolizado nas Escolas Waldorf através da história da Menina da Lanterna que busca sua luz interior.

História: A menina da lanterna

A menina da lanterna
A menina da lanterna

      Era uma vez uma menina que carregava alegremente sua lanterna pelas ruas. De repente chegou o vento e com grande ímpeto apagou a lanterna da menina.

         Ah! Exclamou a menina. – Quem poderá reacender a minha lanterna? Olhou para todos os lados, mas não achou ninguém. Apareceu, então, uma animal muito estranho, com espinhos nas costas, de olhos vivos, que corria e se escondia muito ligeiro pelas pedras. Era um ouriço.

            Querido ouriço! Exclamou a menina, - O vento apagou a minha luz. Será que você não sabe quem poderia acender a minha lanterna? E o ouriço disse a ela que não sabia, que perguntasse a outro, pois precisava ir pra casa cuidar dos filhos.

            A menina continuou caminhando e encontrou-se com um urso, que caminhava lentamente. Ele tinha uma cabeça enorme e um corpo pesado e desajeitado, e grunhia e resmungava.

            Querido urso, falou a menina, - O vendo apagou a minha luz. Será que você não sabe quem poderá acender a minha lanterna? E o urso da floresta disse a ela que não sabia, que perguntasse a outro, pois estava com sono e ia dormir e repousar.

            Surgiu então uma raposa, que estava caçando na floresta e se esgueirava entre o capim. Espantada, a raposa levantou seu focinho e, farejando, descobriu-a e mandou que voltasse pra casa, porque a menina espantava os ratinhos. Com tristeza, a menina percebeu que ninguém queria ajudá-la. Sentou-se sobre uma pedra e chorou.

            Neste momento surgiram estrelas que lhe disseram pra ir perguntar ao sol, pois ele concerteza poderia ajudá-la.

            Depois de ouvir o conselho das estrelas, a menina criou coragem para continuar o seu caminho.

            Finalmente chegou a uma casinha, dentro da qual avistou uma mulher muito velha, sentada, fiando sua roca. A menina abriu a porta e cumprimentou a velha.

            - Bom dia querida vovó – disse ela

            - Bom dia, respondeu a velha.

            A menina perguntou se ela conhecia o caminho até o Sol e se queria ir com ela, mas a velha disse que não podia acompanhá-la porque ela fiava sem cessar e sua roca não podia parar. Mas pediu a menina que comesse alguns biscoitos e descansasse um pouco, pois o caminho era muito longo. A menina entrou na casinha e sentou-se para descansar. Pouco depois, pegou sua lanterna a continuou a caminhada.

            Mais pra frente encontrou outra casinha no seu caminho, a casa do sapateiro. Ele estava consertando muitos sapatos. A menina abriu a porta a cumprimentou-o. Perguntou, então se ele conhecia o caminho até o Sol e se queria ir com ela procurá-lo. Ele disse que não podia acompanhá-la, pois tinha muitos sapatos para consertar. Deixou que ela descansasse um pouco, pois sabia que o caminho era longo. A menina entrou e sentou-se para descansar. Depois pegou sua lanterna e continuou a caminhada.

            Bem longe avistou uma montanha muito alta. Com certeza, o Sol mora lá em cima – pensou a menina e pôs-se a correr, rápida como uma corsa. No meio do caminho, encontrou uma criança que brincava com uma bola. Chamou-a para que fosse com ela até o Sol, mas a criança nem responde. Preferiu brincar com sua bola e afastou-se saltitando pelos campos.

            Então a menina da lanterna continuou sozinha o seu caminho

            Foi subindo pela encosta da montanha. Quando chegou ao topo, não encontrou o Sol.

            - Vou esperar aqui até o Sol chegar – pensou a menina, e sentou-se na terra.

            Como estivesse muito cansada de sua longa caminhada, seus olhos se fecharam e ela adormeceu.

            O Sol já tinha avistado a menina há muito tempo. Quando chegou a noite ele desceu até a menina e acendeu a sua lanterna.

            Depois que o sol voltou para o céu, a menina acordou.

            - Oh! A minha lanterna está acessa! – exclamou, e com um salto pôs-se alegremente a caminho.

            Na volta, reencontrou a criança da bola, que lhe disse ter perdido a bola, não conseguindo encontrá-la por causa do escuro. As duas crianças procuraram então a bola. Após encontrá-la, a criança afastou-se alegremente.

            A menina da lanterna continuou seu caminho até o vale e chegou à casa do sapateiro, que estava muito triste na sua oficina.

            Quando viu a menina, disse-lhe que seu fogo tinha apagado e suas mãos estavam frias, não podendo, portanto, trabalhar mais. A menina acendeu a lanterna do artesão, que agradeceu, aqueceu as mãos e pôde martelar e costurar seus sapatos.

            A menina continuou lentamente a sua caminhada pela floresta e chegou ao casebre da velha. Seu quartinho estava escuro. Sua luz tinha se consumido e ela não podia mais fiar. A menina acendeu nova luz e a velha agradeceu, e logo sua roda girou, fiando, fiando sem cessar.

Depois de algum tempo,a menina chegou ao campo e todos os animais acordaram com o brilho da lanterna. A raposinha, ofuscada, farejou para descobrir de onde vinha tanta luz. O urso bocejou, grunhiu e, tropeçando desajeitado, foi atrás da menina. O ouriço, muito curioso, aproximou-se dela e perguntou de onde vinha aquele vaga-lume gigante. Assim a menina voltou feliz pra casa.

 

Simbologias:

        Todos nós passamos por momentos difíceis na vida, momentos em que nos sentimos desorientados e sem rumo.

        Este momento é simbolizado na história quando a menina tem a luz de sua lanterna apagada e por conseqüência precisa iniciar um caminho de auto desenvolvimento para reencontrá-la.

        Em princípio ela encontra os animais que representam nossos instintos básicos e que precisam ser dominados. 

        Posteriormente ela se depara com três partes que formam o homem: o pensar, o querer, e o sentir; representados respectivamente pela fiandeira que tece o fio do pensamento; o sapateiro que com sua vontade e ação faz sapatos que nos mantém os pés no chão; e a criança da bola que experiencia o mundo com seus sentimentos.

        A menina ao adormecer se entrega ao mundo espiritual, ao despertar para o mundo físico ela encontra sua luz, e na volta ilumina o caminho daqueles que precisam, num gesto de doação e amadurecimento do seu sentir, querer e pensar. Ao reencontrar os animais e ajudá-los, também está reconhecendo seus instintos e dominando seu mundo interior.

        As crianças vão se aproximando deste conteúdo inconscientemente ano a ano, e dessa vivência tiram lições muito importantes para a vida. 


 

Comments: 1
  • #1

    Marisa vip (Friday, 02 August 2013 07:13)

    Parabéns pelo conteúdo e principalmente pela linda `menina` com sua lanterna. Adorei!
    Obrigada pela luz que emana de todos os trabalhos que vocês realizam...
    Grande beijo! Marisa.

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