Época de São Micael

Na época de Micael, na natureza, já se manifestam as forças de rebentação: brotos novos, frutos em formação, as árvores que perderam suas folhas no inverno recuperam suas copas frondosas. Surgem muitas flores, muitos passarinhos.

       Dentre as plantas desta época, as que mais se destacam são as ‘rosáceas’, cuja aparência é de uma harmonia perfeita, nunca perdendo forma e medida. Suas raízes são profundamente ligadas ao solo e às forças terrestres e as flores são abertas ao cosmos. Devido ao equilíbrio destas forças, não há plantas tóxicas nesta família, e todos seus frutos são muito saborosos. Como fruto da época se destaca o morango, mas temos ainda as maçãs, pêssegos, ameixas, peras...

         No céu as estrelas da constelação de Virgem deixam o meio do céu e se aproxima a constelação de Libra, que se apresenta em lugar de destaque e com isso emanam suas forças de equilíbrio. É momento de reflexão, encorajamento para seguirmos confiantes até o final do ano.        

          O decurso do ano continua seu movimento natural e depois do solstício de inverno com a comemoração de João, novamente a temperatura vai se tornando mais amena. Vamos animando-nos com o calor, passeios na praia no fim de tarde, mudanças no guarda-roupa. A luz do sol reinicia seu caminho de encontro ao sul, se mostrando cada dia mais cedo um pouquinho. Vamos aproximando-nos de mais um equinócio, agora o da primavera, para nós aqui do hemisfério sul. E com ele, uma nova época do ano, a época do Arcanjo Micael.

              No fim de setembro está o outro grande marco – a polaridade da Páscoa – é a época de São Micael. Ainda, praticamente só nos meios antroposóficos é que se comemora essa festa, embora na tradição europeia, muitas vezes, confunde-se com a festa da gratidão pela colheita.

 

         São Micael agora é sentido como aquela força do ferro, capaz de lutar contra o dragão da própria alma, que subjuga aos seus pés; é o “eu” que luta contra os impulsos, os instintos da área metabólica do ser humano. Ele dá força à ação e clareza ao pensamento.

         Em julho/agosto, uma grande chuva de meteoritos cai na terra, o ar se purifica, o ferro liga-se ao enxofre e limpa, por assim dizer, o céu dos vapores expirados pelo “dragão”. Esses meteoritos impregnam a atmosfera e as águas de finas partículas de ferro, que as plantas verdes absorvem e nós consumimos como alimento. Esse ferro de natureza cósmica, que ingerimos através das folhas verdes e dos frutos desta época, é importante no combate de todos os processos inflamatórios (sulfurosos), dando-nos resistência e força de ação.

     

        Esta é a época do ano que representa o momento atual da humanidade. Na verdade cabe a nós estarmos construindo festividades que celebrem adequadamente esta época, cuidando para não só estarmos instituindo mais uma data festiva no calendário.

     Deveríamos conseguir celebrar as dádivas de Micael de uma forma ativa, invocando sua atuação junto a nós para termos forças de coragem. Coragem para agirmos no social fazendo o bem.

          Se a criança, como também o adulto, tem oportunidade de vivenciar esses conteúdos através da arte, de histórias e lendas e canções de Micael, será fortificada interiormente também a nível anímico, o que a levará confiante até o fim do ano.

 

          Nas Escolas Waldorf, de uma forma alegre e festiva se realiza, todos os anos, a Gincana de Micael. São desafios na natureza, onde equipes compostas por alunos de diferentes idades, tamanhos e capacidades, terão oportunidade de se descobrirem em seus limites e vencerem obstáculos, trabalhando em conjunto, em cooperação fraterna, exercitando suas ideias e sentindo-se parte de um todo.

          Fraternidade, liberdade e igualdade. Fraternidade em nossas ações no campo econômico, liberdade no pensar e em nossas expressões culturais e igualdade na vida dos sentimentos e na vida dos direitos. Eis o que deveria nos inspirar um festival de Micael, de forma a ser um germe de atuações futuras no mundo, indo ao encontro agora do Eu do outro, para que no exercício social do amor, fazendo o bem, nos encontremos como verdadeiros seres humanos.

São Micael - sentido espiritual

          Então, nós que tivemos a recordação da história da humanidade, representadas na vida e na figura do Cristo, através das festas do Natal, Páscoa e São João, nos deparamos agora com a época onde já não se tem mais um destino previamente direcionado pelas hierarquias. Encontramo-nos numa época onde o ser humano tendo em si as capacidades de pensamento (consciência), tendo o livre-arbítrio, tem que por si mesmo dominar seus sentidos e emoções e atuar no mundo, não só na luta pela sobrevivência, mas na luta entre o bem e o mal em si mesmo. Contudo não estamos sozinhos, nesta luta está também Micael.

         Quem é Micael?

         Micael é o regente da nossa época histórica atual, desde o último terço do século XIX (1879). Ele é o intermediário para as atividades do Cristo na Terra, e também um dos quatro Arcanjos que trabalham conjuntamente ao longo do ano na regência das estações e suas manifestações no organismo humano. Temos Gabriel e Uriel (inverno/verão) e Rafael e Micael (primavera/outono). Esses quatro Arcanjos têm uma atuação conjunta e trabalham em parceria – um atuando na natureza, enquanto o outro atua no organismo humano. Micael recebe de Uriel (época de São João) as forças de pensamento para transformá-las em forças de movimento, em forças de ação no social, onde deveríamos exercitar e desenvolver: liberdade no pensar, igualdade no sentir e fraternidade no agir.      

           O Arcanjo Micael, avançando para a hierarquia dos Arqueus, desde tempos muito remotos é o regente do sol, o grande administrador da inteligência cósmica. O povo russo sempre o chamou de “semblante de Cristo”.

         Com força objetiva e inteligência cósmica, Micael é o grande defensor da humanidade, acreditando sempre nela, apesar de todos os desvios. Hoje em dia Micael é o grande inspirador e auxiliar de cada um que queira aprender a amar com consciência.

         Conta uma lenda que os anjos do céu se encontravam contemplando Deus Pai em seu trono. Lúcifer olhava para Deus e pensava:”meu trono estará nas nuvens do céu e eu serei venerado como Deus”. Com esse pensamento apareceu uma pequena mancha nas vestes de Lúcifer, na altura do coração. Lúcifer tentou esconder a mancha com a asa, mas Micael notou-a. Ele disse a Lúcifer que se desculpasse e assim a mancha sumiria. Lúcifer se nega. E Deus notando a desarmonia, pede a Lúcifer que ele se desculpe, mas ele se nega. Deus, então, pede a Micael que expulse Lúcifer e todos os seus anjos, pois no céu não há lugar para desarmonias. Micael tira sua espada e luta com Lúcifer e seus anjos. Após muito esforço, consegue expulsá-los. Mas nenhum planeta do universo quis recebê-los, nem a Terra. O único espaço aberto era a alma humana a lá eles se refugiam. Micael, por sua vez, jura ajudar o ser humano na sua luta com o mal.

O que é o 'Dragão'?

         Na idade média Micael era representado com uma espada na mão, dirigida em direção a um dragão, preso embaixo de seus pés. Uma grande imaginação cósmica, que como na imagem da lenda acima, nos lembra que não é necessário matar, e sim manter o mal sob controle. Micael, sendo administrador da inteligência cósmica, sabe que cada ser, cada energia tem seu lugar e sua tarefa na grande aventura da vida. Que não existe o mal em si, que só é prejudicial quando atua no lugar e época errados. O dragão em nós se apresenta quando, por termos desenvolvidas nossas capacidades do pensar autoconsciente e conquistado o livre-arbítrio, temos de dominar nossos sentimentos e emoções para bem atuarmos no mundo. Quando lutando pela sobrevivência, temos que lutar com o bem e o mal em nós próprios, lutando com o dragão de nossas cobiças e vaidades, que tantas vezes nos deixam tão inseguros e reféns de tantos medos.

         Micael lida com o ferro da espada, que não é o ferro mineral, mas ferro meteórico, que anualmente em julho e agosto cai na Terra em forma de meteoritos, também chamadas estrelas cadentes. A substância ferro em nosso sangue garante nossa força de atuação e coragem.

         Sua imagem é a do ser que não se deixa impressionar com as forças negativas, que as combate e determina onde devem ficar. Como entidade suprema solar, ele respeita o livre arbítrio do ser humano, pois a liberdade e o amor são as qualidades da décima hierarquia, que seremos nós no futuro. Se nos falta coragem para enfrentar um acontecimento é a ele que devemos invocar, pois só se aproxima se for chamado. Daí a importância de resgatarmos em nosso calendário festivo, uma festa para esta época, para reavivarmos as forças micaélicas, tão necessárias nestes nossos tempos atuais.

Flor de São Miguel
Flor de São Miguel

Pensamento para esta era de Micael

Temos que erradicar da alma todo medo e terror do que o futuro possa trazer ao homem.

Temos que adquirir serenidade em todos os sentimentos e sensações a respeito do futuro.

Temos que olhar para frente com absoluta equanimidade para com tudo que possa vir.

E temos que pensar somente que tudo que vier nos será dado por uma direção mundial plena de sabedoria.

Isto é parte do que temos que aprender nesta era: viver em pura confiança, sem qualquer segurança na existência; confiança na ajuda sempre presente do mundo espiritual.

Em verdade nada terá valor se a coragem nos faltar.

Disciplinemos nossa vontade e busquemos o despertar interior todas as manhãs e todas as noites.

Rudolf Steiner


*Elaboração do conteúdo: psicóloga antroposófica Marisa Clausen Vieira

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