A quaresma e a  Páscoa

               As festas do ano são um acontecimento importante na vida e no ritmo da criança e mesmo do adulto. Se tentarmos nos lembrar de nossa infância, as festas do ano parecem pequenas pedras preciosas. A civilização moderna, tão consumista, incentiva apenas o lado comercial destas festas. Mas elas têm um profundo sentido espiritual, e são marcos importantes no ritmo do ano com suas quatro estações e desempenham um importante papel na biografia e na saúde do ser humano.

 

           Faz-se muito importante resgatar o sentido das imagens que acompanham estas festas anuais, pois assim poderemos usá-las novamente de modo consciente e não simplesmente como uma simbologia que nada mais significa. Usando-as conscientemente, podemos dar novamente um verdadeiro sentido espiritual às nossas festas, e nos beneficiar com o resgate do ritmo anual trazido por elas.

 

          No decorrer do ano, depois do Natal comemorado no final do ano anterior, temos a passagem do Ano Novo e a Festa de Reis fechando as celebrações do nascimento do menino Jesus até seu batismo no rio Jordão. A próxima celebração é a do Carnaval – uma época festiva de expansão e brincadeiras que culmina com a quarta-feira de cinzas, numa metáfora de que se inicia uma fase de interiorização, da preparação para o momento inevitável de se confrontar com a própria morte.

 

          Ainda é muito calor, mesmo terminado o “horário de verão” e retomada as atividades laborais, após o período usual das férias, é lentamente que o ano começa a girar as engrenagens do tempo para o ritmo mais acelerado de nossas vidas. É o período da Quaresma – período de 40 dias que se inicia na quarta-feira de cinzas do Carnaval e vai até o domingo da Páscoa. Devagar a temperatura começa a cair, assim como as folhas das árvores, os dias ficam mais azuis, o clima mais seco. O outono inicia trazendo com ele uma nova Época.

Época da Páscoa

Quaresmeira
Quaresmeira

          A natureza se manifesta na florescência das Quaresmeiras, árvores de porte médio que desabrocham em flores que vão do roxo intenso até o branco, bem como no lindo desabrochar das numerosas flores róseas, roxas e púrpuras das enormes Paineiras; ou ainda nas flores vermelhas ou laranjas dos maravilhosos Flamboyants. Temos a época das uvas, goiabas, caquis, maracujás. No céu pode-se ir observando o nascer do sol, afastando-se da constelação de Peixes e aproximando-se da constelação de Áries, nos aproximamos do equinócio – época que a luz do sol incide mais diretamente sobre a linha do equador, o que faz com que os dias tenham aproximadamente a mesma duração das noites e as temperaturas se tornem mais amenas. É a mudança das estações.

 

       Aqui no hemisfério sul, passa-se do verão para o outono. Deixamos o alegre colorido das flores e dos frutos para entrar nos tons graves de amarelo, que vão do vermelho ao marrom passando pelo violeta, nas inúmeras folhas que se espalham pelo chão. A terra se escurece e o céu se ilumina num azul intenso maravilhoso.

Coelho
Coelho

Páscoa - Sentido Espiritual

        A Festa da Páscoa é uma festa móvel, não tendo uma data fixa. É ela que determina o que vem antes e o que vem depois. A Páscoa acontece após o equinócio de 20 de março, no 1º domingo após a 1ª lua cheia dessa nova época do ano: outono aqui no hemisfério sul e primavera no hemisfério norte.

       Por causa disso muitas pessoas acreditam ser a lua a regente da Páscoa, mas esse é um dos grandes mistérios dessa época que inaugura um novo tempo, onde não são mais forças lunares que regem os acontecimentos da vida humana e sim forças solares. O domingo, o dia do Sol, o dia do Senhor, vem a ser o primeiro dia santo, inaugurando a semana de trabalho e realizações.

          A Semana Santa com seus acontecimentos nos revela o caminho de auto desenvolvimento do Eu humano. Desde o Domingo de Ramos, numa imagem de humildade somos levados pelas demais imagens dos dias seguintes dessa semana sacra a orientar-nos daquilo que se faz necessário transformar em nossas vidas, para encontrarmos o impulso Crístico e com ele trilharmos o caminho do meio, sem cairmos nas polaridades.

       Na sexta-feira Santa, se dá o Mistério do Gólgota, Cristo é crucificado e sepultado. Desaparecendo para dentro da Terra, vivificando-a com seu corpo e sangue. Passados duas noites e um dia, depois de ter se unido à morte, Ele reaparece no Domingo Páscal e trabalha junto a seus discípulos durante outros 40 dias, vindo a desaparecer novamente, só que agora para fora da Terra, na Ascensão. Com isso, depois de se aguardar mais 10 dias e 10 noites, ser possível a descida do Espírito Santo, no dia de Pentecostes, nas línguas de fogo sobre a cabeça dos apóstolos – o germe do Eu humano são.

         O drama do mistério da Semana Santa é uma unidade grandiosamente completa em si. Acompanha-se de um mistério de composição que se nos desvenda à medida que desenvolvemos o sentido em relação ao valor das etapas na vida de Jesus. O que aconteceu nos sete dias pré-pascais é uma condensação de toda a vida do Cristo. As mesmas leis originais e as mesmas etapas reveladas na sagrada biografia dos três anos ressurgem dramaticamente resumidas diante de nossa visão. A partir da semana da Paixão podemos reconhecer nos três anos de vida do Cristo toda uma grande Paixão. A Entrada em Jerusalém é uma oitava do Batismo no Jordão. Completa-se a entrada do Cristo em nossa existência terrena. Recebe seu cunho definitivo o mistério da Encarnação que se iniciara três anos antes.

        Mas, o que representa de fato, então, a Idéia da Páscoa, a Idéia da Ressurreição?

        A Entidade do Cristo desceu das alturas espirituais, submergindo no corpo de Jesus de Nazaré, no Batismo no Jordão. Viveu na Terra no corpo de Jesus trazendo as forças do mundo espiritual (extra terrestres) para dentro da esfera da Terra. Que culmina com o Mistério do Gólgota, quando então, suas forças entram na torrente do tempo e passam a estar unidas com as forças da evolução da humanidade. O que possibilitou através da Ressurreição, que o Cristo passe a estar unido com os homens, não vivendo mais apenas nas alturas cósmicas, vivendo também na existência terrestre, no Eu humano.

         É importante que esse acontecimento, como fato único, não seja visto apenas do ponto de vista do ser humano, mas também sobre o que isso significou para o mundo espiritual. O evento Crístico num primeiro momento, para um determinado mundo espiritual, é o de desaparecer para submergir na humanidade; e ao passar pela ressurreição, aparecer novamente, para esse mesmo mundo espiritual, brilhando a partir da Terra e de cada Eu humano, como uma estrela.

         Isso tudo permitiu que Entidades Espirituais passassem a não só contemplar, através do ser humano, a exposição da humanidade às forças adversas arimânicas materialistas a partir dos portais do inferno, mas que pudessem passar a atuar e vencer essas forças. E isto tudo só se tornou possível, pelo fato da Entidade do Cristo ter vivenciado a morte humana e deste modo descer adentro do campo destas forças arimânicas, dentro da Terra, e assim vencê-las. E esta é a grande imagem da época da Páscoa: a imagem do Ressurreto, a imagem do Cristo entre e no controle das forças adversas Luciféricas e Arimânicas. Imagem esta que inspira o Eu humano na sua luta diária com tais forças, no desafio de manter o equilíbrio entre as polaridades. Sentindo-se fortalecido e amparado, pois: "- Quando dois ou mais estiverem reunidos em Meu nome, Eu estarei entre eles."

         A Idéia da Páscoa precisa então, passar da condição de morte para a condição do que vive. O vivo se caracteriza por fazer germinar outra coisa viva a partir de si, e esse é o maior dos mistérios – o mistério do sangue e da morte, o mistério da vida.

Lagarta em seu casulo
Lagarta em seu casulo
Borboleta
Borboleta

Costumes e Brincadeiras

        Um dos enfeites usados na Páscoa são os ovos. Por que o ovo? O ovo é a imagem arquetípica da vida, é proteína primordial, e é vida nova. Quantas vezes não temos que “morrer” para poder nascer uma qualidade nova? Como na imagem da borboleta, que precisou da morte da lagarta que se recolhe do mundo no casulo. Constantemente, nosso desenvolvimento força-nos a deixar morrer certas coisas, para que outras novas possam surgir.

         Talvez daí o costume de se colher marcela na sexta feira Santa antes do sol nascer, para manter forte seu princípio ativo, pois este atua no fígado, ajudando no processo de renovação das células mortas do sangue e atua na vontade do ser humano.

         Outra imagem que acompanha a Páscoa, além do ovo, é a do coelho - símbolo da fertilidade e da primavera; conforme Rudolf Steiner, símbolo da compaixão, de Buda. Essas são as forças presentes na Páscoa e vivenciáveis pelas crianças.

        A brincadeira de procurar os ovos escondidos pelo coelhinho, alegra as crianças pequenas e até as maiores! Não pense que pelo fato de uma criança de 8, 9 ou 10 anos, ou mesmo mais, saber que não é o coelho que traz os ovos, ela não terá prazer em procurá-los! Pois procurar e achar os ovos, não é só uma alegria, mas sim uma experiência importante do impulso da Páscoa: “procure e acharás”.

         Temos pelo mundo afora, muitas outras curiosidades e tradições que simbolizam a Páscoa e nos ajudam a celebrá-la, que valem a pena reavivá-los para esses nossos tempos. Como o costume da Europa oriental de decorar os ovos para presentear as pessoas queridas, num exercício de ordenação do caos, através dos desenhos de formas geométricas, transformando o pequeno mundo do ovo da Páscoa num exemplo da grandiosa harmonia que pode haver no mundo.

        

Galo
Galo
Marcela
Marcela

      Há ainda, a figura do galo, representando aquele que é o anunciador do novo dia, aquele que nos chama a acordar para o novo tempo, assim como Pedro, que negou ao Senhor, acordou-se para si ao terceiro cantar do galo. Só o Eu do homem acordado é capaz de perceber o nascer do Sol Crístico e com alegria celebrar e reconhecer o Domingo Pascal.

       Para os “pequenos” podemos contar muitos dos contos-de-fadas, com motivos de transformação, morte sendo superada e de redenção, tais como os contos dos Irmãos Grimm: O Galo da Páscoa, O Rei Sapo, Rapunzel, Os Dois Irmãos e outros. Atividades como trançar, tecer, dobraduras, modelar em argila, trazem para a criança os princípios básicos de ordenação cósmica, de transformação e formação. O que pode ser realizado como gostosas brincadeiras de preparação dos “ninhos” e cestinhas, bem como em confecção de enfeites para as janelas ou móbiles com galhos secos com lindas casquinhas coloridas penduradas, para enfeitar a casa.

Conteúdos inspirativos

QUANDO AS FOLHAS CAEM

Por José Scussel

 

É outono, as folhas caem. A natureza se desprende da euforia do verão sabendo que vai, no tempo devido, mergulhar no recolhimento do inverno. O cair das folhas secas balançadas pelo vento é poesia, é oferenda das árvores, gratidão à terra que as alimenta. Quando um ciclo se encerra, é preciso desprender, deixar cair. Reter é perecer. Deixar partir não significa perder.

É outono, estação da direção oeste, onde o sol se põe. O ciclo da vida se encerra como um final de tarde que se aproxima.  Os raios de sol desaparecem por detrás da montanha ficando apenas luzes coloridas entre nuvens no poente. Inevitavelmente a noite virá depois do entardecer. O entardecer é magia, gentilmente o sol se retira para retornar no dia seguinte. Quando a tarde chega é preciso ceder, sem resistir. A noite é continuação, complementação. O caminho de volta, ainda é caminho, um passo atrás também.

O entardecer colorido de outono alimenta o tempo de desprendimento, transformação, reconciliação, despedida. O novo sempre vem. Os ciclos sempre se encerram. Entre a explosão do verão e o recolhimento do inverno, está o desprendimento e aceitação do outono. As folhas se desprendem no outono, para se recolher no inverno e despertar na primavera numa explosão de vida infinita na abundancia universal. O ontem e o amanha são apenas o mesmo eterno sempre.

José Scussel é filósofo, dirigente da Pousada Monte Crista

e todos os anos, no outono, celebra os Ritos da Montanha.

*Elaboração do conteúdo: psicóloga antroposófica Marisa Clausen

O que eu posso fazer para essa Páscoa ser diferente?

Mais uma Páscoa, mais um ano em que vemos os supermercados cheios de ovos com brinquedos e ‘surpresas’, além das decorações com coelhos, ovos e cenouras por todos os lados.

Em mais um ano, ronda-nos a pergunta: o que posso fazer para a minha criança vivenciar a Páscoa de forma plena e não só consumista?

 

Muitas dicas de como trabalhar esta época com as crianças no link:

A Páscoa e as crianças

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Arte, mimos e encantos!!

"Não roube a infância de seu filho, deixe-o descobrir o mundo pelos seus olhos curiosos. Tudo tem seu tempo e o maior tesouro que temos é o aprendizado que fazemos nestas próprias descobertas." RC 

 

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