O brincar como primeiro experimentar do mundo

          Em tempos passados brincar era algo natural para a criança. Brincavam e ninguém se preocupava com isso, não se falava ou se escrevia de suas atividades. Existem muitos adultos que se lembram saudosamente dos tempos felizes de sua infância, era uma época onde se sentiam realmente livres.  Hoje em dia, em nossa civilização predominantemente técnica, com a preocupação de conhecer, estudar e orientar a educação das crianças, acabamos por interferir demais em sua capacidade original de brincar.

          O brincar da criança é a manifestação mais profunda do impulso que conduz ao fazer, sendo que neste fazer o homem tem a sua verdadeira essência humana. Devemos procurar manter um espaço dentro do tempo e do espaço físico para que ela possa, pelo brincar imitativo, encontrar o seu caminho dentro do mundo e também encontrar-se a si mesma.

           Inconscientemente, a criança inicia a conquista das noções de espaço – tempo – mundo por meio do brincar de pegar um objeto, deixar cair, jogar, ouvir o som quando rebate no chão, e faz parte deste brincar a participação ativa do adulto, abaixando-se, devolvendo o objeto. A criança recebe este gesto com imensa alegria porque deseja experimentar, vivenciar este mundo novo para ela. Do mesmo modo que mais tarde precisa observar as primeiras manifestações de vida da planta ou o crescimento de um animal, que ajudam no seu entrosamento com o nosso ambiente terreno.

          Baseada no brincar livre é que a criança vai estruturar futuramente sua capacidade de julgamento. O “mundo humano” é aprendido pela imitação e fixado na criança pelo brincar de casinha, repetindo os fatos corriqueiros do dia a dia. È uma das formas básicas mais importantes e decisivas de formação do ser humano, pelo acordar e ativar das forças criativas da criança. Quando só se brinca com brinquedos industriais, produzidos em série, que geralmente se apresentam de tal forma que as forças da fantasia da criança não encontram alimento, pois não há nada a completar, a imaginar, a projetar sobre este brinquedo, se reduz as possibilidades do encantamento da descoberta e da vivência da fantasia.

          Poucas pessoas conseguem participar deste paraíso infantil, desta felicidade da criança, penetrar neste reino, a maioria não tem paciência para ouvir e ver o que se expressa no brincar da criança pequena, sem interferir, acaba desencantando estes momentos pelo julgamento do seu intelecto, o qual não tem acesso ao mundo da criança.

          O brincar feliz da infância, num lar harmonioso, certamente será o que de melhor e mais precioso uma criança poderá levar consigo para a sua vida futura. Com isso conseguirá forças valiosas que levará para um mundo no qual, dia a dia, se torna mais difícil a sobrevivência da alma íntegra, da livre iniciativa e da auto-formação do Eu.

 

                                           Baseado em texto de Maria Brabara Trommer

 

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"Não roube a infância de seu filho, deixe-o descobrir o mundo pelos seus olhos curiosos. Tudo tem seu tempo e o maior tesouro que temos é o aprendizado que fazemos nestas próprias descobertas." RC 

 

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